• O Estilo Gaiato
      1953
    • A Parceria com Adoniran Barbosa
      Começa em 1951
    • Trem das 11
      Saudosa Maloca, Samba do Arnesto
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    Historia

    No início da carreira, os Demônios da Garoa apesar de se destacarem pelo seu jeito de cantar, com a voz clara e vocalizar com perfeição e harmonia, não tinham um estilo próprio e marcante, fazendo-os parecer um conjunto vocal como tantos outros. Pensando em se destacar dos demais conjuntos vocais da época (Anjos do Inferno, Quatro Ases e Um Coringa, Quitandinha e Serenaders, dentre outros), Arnaldo Rosa criou o Estilo “Gaiato”, unindo a forte influência italiana da Mooca (forte sotaque italiano e um português “macarrônico”), com a observação do comportamento e linguajar dos engraxates da Praça da Sé e da Praça Clóvis, que faziam batucadas em suas caixas e queriam “falar difícil”, mas não conseguiam disfarçar seu jeito malandro e seus erros de concordância e pronúncia... O curioso é que esta gaiatice foi descoberta por acaso e naturalmente,  resultado do espírito brincalhão de Arnaldo, incorporado em seus shows, trazendo versatilidade, humor e destaque em suas apresentações. Outro destaque é a maneira peculiar que cada componente incorporou ao tocar seu instrumento, criando  novas técnicas e efeitos musicais até então não utilizados, fazendo uso de instrumentos incomuns para a época (como o violão tenor) e explorando com maestria o cavaquinho, o pandeiro e o violão 7 cordas, sempre presentes na marcação do ritmo, caracterizando ainda mais o estilo diferenciado do conjunto. Mas a criatividade dos Demônios da Garoa não parou por aí... Aqueles endiabrados adolescentes inovaram ainda mais com a criação das introduções das músicas que interpretavam, que para eles era de suma importância.  Fazendo uso de muita irreverência e humor, rechearam seus sambas com “pans pãns pãns pãns”, “pas calin gun dum” e “quais quais quais”, dando origem ao que chamamos hoje de verdadeiro “Samba Paulista”, que conquistou a expressão e o sucesso nacional. O Estilo “Gaiato” unido às fabulosas introduções dos sambas e seu jeito único de tocar suas músicas,  firmou-se como identidade inconfundível dos Demônios da Garoa. Vale a pena lembrar que estas inovações não foram aceitas de imediato, e os Demônios da Garoa encontraram bastante dificuldade para conseguir uma gravadora que tivesse a coragem de lançar um disco com músicas cheias de erros de português.

    Pas Calin Gun Dum

    Trecho do Trem das 11

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    Saudosa Maloca” e “Samba do Arnesto”  havia batido recorde de vendas no estado de São Paulo, com mais de 100 mil cópias vendidas, sucesso este que ultrapassava as fronteiras e chegava ao Rio de Janeiro, sendo destaque do “Diário da Noite Fluminense”,  nas palavras do crítico musical J. Pereira. Estes dois grandes sambas tornaram-se mais um grande marco na longa carreira dos Demônios da Garoa, devido a conquista de dois feitos históricos para a época: permanecer por um ano e meio seguido nos primeiros lugares da parada de sucesso musical;  conquistar estrondoso sucesso nos dois lados de um mesmo disco, o que era raro naquela época. Mas o grande ícone da carreira dos Demônios da Garoa é sem dúvida, o samba “Trem das Onze". Arnaldo Rosa, Antônio Gomes Neto, Cláudio Rosa, Roberto Barbosa e Narcizo Trivelatto viveram o maior sucesso da carreira dos Demônios da Garoa em 1964, com o famosíssimo “Trem das Onze” de Adoniran Barbosa, que os projetou internacionalmente e proporcionou-lhes várias honrarias, como: Disco de Ouro, Medalha Anchieta, Chave de São Paulo, Diploma de Cidadão Paulistano, etc...   De todos os prêmios recebidos este ano, o que mais enalteceu os Demônios da Garoa, foi o “Título de Campeão do Carnaval Carioca de 1964”,  ao conquistarem o 1º lugar no “Concurso de Músicas Carnavalescas do IV Centenário do Rio de Janeiro”,  justamente no ano em que o Rio de Janeiro comemorava os 400 anos de sua Cidade Maravilhosa, era considerado dono do melhor carnaval do mundo, e dizia que São Paulo era o túmulo do samba, os Demônios da Garoa conseguiram provar que São Paulo também tinha o que mostrar em matéria de Música Popular Brasileira.

    Saudosa Maloca, maloca querida. Dim dim donde nóis passemos os dias feliz de nossas vidas

    Trecho do Saudosa Maloca